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Ameaças de chacinas em escolas: Psicopatas em ação?

Na quarta-feira, dia 23 de fevereiro, três escolas de Campinas receberam ameaças de que ocorreria, em seu interior, uma chacina. A polícia foi comunicada e intensificou o patrulhamento no entorno dessas instituições de ensino. Ora, o caso, grave como é, merece algumas ponderações.

Como ponto preliminar, devemos afastar as hipóteses de “chacina comum”, semelhante àquela promovida por criminosos em um possível acerto de contas com alguém que burlou suas regras, bem como de um boato ou fake news para causar alarme inútil. Neste artigo, pensaremos na possibilidade de um ataque ativo, provavelmente por um psicopata, a agir de modo solitário ou em grupo. É sobre este ponto específico que desejamos insistir, embora não queiramos, com isso, de modo algum, afirmar que todo causador de um desses ataques seja necessariamente psicopata.

Os psicopatas são pessoas frias e perversas, e estão divididos em graus leve, moderado e severo. Embora o modo de agir (modus operandi) varie de um grau para outro, todos deixam rastros de destruição por onde passam. São predadores natos de quem lhes cruzar o caminho. Tentar estabelecer vínculo afetivo com eles é prejuízo certo!

Mais: enquanto os psicopatas de grau leve e moderado, apesar da maldade inata, não sujam suas mãos de sangue, os de grau severo matam com requintes de crueldade – esta é uma de suas grandes marcas –, em série (serial killer) ou não e, às vezes, são também assassinos em massa (matam a muitos em pouco tempo em escolas, shoppings, praças etc.).

Tal ato é chamado de ataque ativo e, na maioria das vezes, quem ataca tem uma ligação com o local atacado. Na escola, por exemplo, o atacante pode ser um aluno, ex-aluno, funcionário ou ex-funcionário. Diante disso, precisamos estar muito atentos, pois o psicopata, ator por excelência, quase nunca dá indícios do que fará ou sequer deixa rastros do que já fez. É um dissimulado clássico. Engana a quase todos, incluindo médicos, policiais etc. Daí ser difícil, mas não impossível, antecipar-se às suas más ações.

Isso posto, pergunta-se: O que fazer? Há, a nosso ver, dois pontos a serem, por ora, considerados: um é sobre a ação policial e o outro diz respeito aos alunos e demais funcionários de uma escola (ou outro local) invadida pelo autor de um ataque ativo.

Quando a polícia chegar, deve ter presentes as seguintes medidas, nesta ordem: entrar no prédio, localizar o causador do incidente, fazer cessar sua agressão, socorrer os feridos e, de modo prudente, evacuar o imóvel a fim de evitar que algum ajudante do causador do ataque escape disfarçado de vítima. Importa muito que as pessoas presentes no local obedeçam às ordens dos profissionais da segurança pública a fim de, com isso, facilitar as ações. Nessas horas, tentar demonstrar que sabem melhor do que eles, só complica ainda mais a já dramática situação.

Quanto aos alunos e demais funcionários da escola, o procedimento – ante o autor de um ataque ativo – é evitar, esconder-se e defender-se. Vejamos cada um:

  • Evitar o encontro com o autor do ataque, fugindo para o lado oposto ao dele. Aqui importa, é claro, conhecer bem o prédio em que você está;
  • Esconder-se, se for preciso, onde e como puder. Formar uma grande barreira na porta do cômodo, apagar as luzes, ficar em silêncio;
  • Defender-se, se for necessário, com os meios que tiver à disposição. Isso, além do efeito físico, desestabilizará a mente programada do agressor. Sim, caso fique parado, você poderá morrer, caso se defenda, terá uma chance de viver.

Por fim, se possível, já fora de perigo, disque 190 (Polícia Militar) e passe o local exato da ocorrência e as características do atirador.

Fiquemos muito atentos, sem pânico, mas em alerta!


*Valmor Saraiva Racorti, tenente-coronel da PMESP, é instrutor pela Universidade do Texas/Programa Alert Americano. Foi comandante no Batalhão de Operações Especiais, que compreende o GATE e o COE.


*Vanderlei de Lima é escritor, graduado em Filosofia pela PUC-Campinas e pós-graduado em Psicopedagogia pela UNIFIA-Amparo.

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